O que é
O TOC é marcado por obsessões, compulsões ou, mais frequentemente, pelas duas [1].
- Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos, indesejados e repetitivos. Eles causam angústia, nojo ou uma sensação de que “algo não está certo” [1,2].
- Compulsões (ou rituais) são comportamentos, como lavar, conferir ou arrumar, ou atos mentais, como contar ou repetir frases em silêncio. A pessoa se sente obrigada a realizá-los para aliviar a angústia ou para seguir regras rígidas [1].
Pensamentos intrusivos acontecem com quase todo mundo. No TOC, eles ganham um peso exagerado, como se fossem perigosos ou muito importantes, e a pessoa tenta neutralizá-los com outro pensamento ou com um ritual [2]. O alívio dura pouco, e o ciclo recomeça.
Os temas mais comuns são [2]:
- medo de contaminação, com rituais de limpeza;
- necessidade de simetria ou de exatidão, com rituais de ordenar e arrumar;
- medo de causar mal a si ou a outras pessoas, com rituais de conferir, contar ou rezar;
- pensamentos proibidos, de conteúdo agressivo, sexual ou religioso, com rituais de neutralizar ou de buscar confirmação com outras pessoas.
Ter um pensamento violento ou sexual indesejado não é o mesmo que querer agir. Pessoas com TOC não têm mais chance de agir sobre esses pensamentos do que a população em geral, justamente porque eles as angustiam [3].
Quão comum é
Estima-se que cerca de 3 em cada 100 pessoas no mundo terão TOC ao longo da vida (3,2%). O transtorno é um pouco mais frequente em mulheres adultas [4].
Ele costuma começar cedo: nos Estados Unidos, a idade média de início é de 19,5 anos, e 1 em cada 4 casos começa até os 14 anos. Começar depois dos 35 anos é incomum [5]. Muitas pessoas convivem com os sintomas por anos antes de reconhecê-los como algo que tem tratamento.
É comum que o TOC venha acompanhado de outras condições. Três em cada quatro pessoas com TOC têm também um transtorno de ansiedade, e cerca de 6 em cada 10 terão um transtorno do humor, como a depressão, ao longo da vida [5].
Como se manifesta
Além das obsessões e compulsões, o TOC costuma trazer:
- evitação de lugares, objetos ou situações que disparam os pensamentos, como banheiros públicos ou facas;
- busca de confirmação, perguntando repetidamente a familiares se está tudo bem;
- graus variados de crítica: algumas pessoas reconhecem que os rituais são exagerados, outras acreditam mais nos próprios medos, e isso pode mudar com o tempo [1,6].
Pensamentos de morte e ideias suicidas são mais frequentes em quem tem TOC, especialmente quando há depressão associada ou sintomas graves [7]. Vale falar sobre isso com o profissional que acompanha você.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico. Ele considera a presença de obsessões ou compulsões que tomam tempo (em geral, mais de uma hora por dia) ou que causam sofrimento importante ou prejuízo na vida [1].
Escalas como a Y-BOCS (Escala Obsessivo-Compulsiva de Yale-Brown) ajudam a medir a gravidade e a acompanhar a resposta ao tratamento [8]. A avaliação também diferencia o TOC de condições parecidas, como transtornos de ansiedade, tiques, transtorno dismórfico corporal, transtorno de acumulação, transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, depressão e psicoses [1].
Como é o tratamento
Os dois pilares do tratamento são a psicoterapia e os medicamentos, usados separadamente ou juntos, conforme a gravidade, a preferência da pessoa e a disponibilidade [9].
Terapia de exposição e prevenção de resposta
A terapia cognitivo-comportamental com exposição e prevenção de resposta (EPR) é o tratamento psicológico com melhor evidência. Com apoio do terapeuta, a pessoa se expõe aos poucos às situações que temia, sem fazer o ritual, e aprende que a angústia diminui sozinha. Nos quadros leves a moderados, ela costuma ser a primeira escolha. Nos graves, a combinação com medicamento funciona melhor [9,10].
Medicamentos
Os antidepressivos da classe dos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina) são a primeira opção de remédio [9]. Algumas particularidades do TOC:
- As doses costumam ser mais altas do que as usadas na depressão, e doses maiores tendem a trazer mais benefício [11].
- A melhora é gradual. Boa parte do efeito aparece até a sexta semana, mas o tratamento só é considerado um teste completo depois de cerca de 12 semanas [9,12].
- De 40 a 60 em cada 100 pessoas têm uma resposta importante com o remédio, que muitas vezes reduz os sintomas sem eliminá-los. Por isso, a combinação com EPR é tão valiosa [13].
- Quando o primeiro remédio não funciona, há outras opções, como trocar de ISRS, usar a clomipramina ou associar outros medicamentos [9,14].
Em crianças e adolescentes, a TCC com EPR, com participação da família, é a primeira escolha nos quadros leves a moderados. Nos graves, a combinação com ISRS traz mais benefício [10].
Depois da melhora, interromper o remédio aumenta o risco de os sintomas voltarem. A decisão de manter ou reduzir é tomada em conjunto e sempre de forma gradual [15,16].
Quando procurar ajuda
Procure avaliação se pensamentos indesejados ou rituais tomam muito do seu tempo, se você passou a evitar lugares ou situações, ou se a família está sendo envolvida nos rituais. Pensamentos intrusivos assustadores, inclusive os de conteúdo violento ou sexual, podem e devem ser conversados na consulta, sem vergonha: eles são um sintoma conhecido e tratável.
Texto informativo, elaborado a partir de revisões atualizadas da literatura e das diretrizes clínicas citadas nas referências. Não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde.
Referências
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