O que é
O TEA é uma condição de origem biológica, ligada ao desenvolvimento do sistema nervoso. Ele se caracteriza por dificuldades na comunicação e na interação social e por padrões de comportamento e de interesses restritos e repetitivos [1].
Os sinais estão presentes desde muito cedo, mas costumam ficar mais evidentes quando aumentam as demandas de convivência social. A forma como o TEA se apresenta e o grau de limitação variam muito de pessoa para pessoa, e outras condições podem estar presentes, como epilepsia, deficiência intelectual e TDAH [1].
Quão comum é
Estima-se que o TEA atinja cerca de 8 em cada 1.000 pessoas no mundo (7,6 por 1.000), e ele é mais comum em meninos [2].
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico considera esses sinais e o momento em que surgem, além de investigar condições que costumam acompanhar o TEA, como epilepsia, deficiência intelectual e TDAH [1].
Como é o tratamento
O objetivo do cuidado é ampliar a autonomia e a qualidade de vida, levando em conta a idade, o grau de limitação, as outras condições presentes e as necessidades de cada pessoa [3–5].
A base do tratamento são intervenções comportamentais e educacionais, em geral conduzidas por uma equipe com diferentes profissionais. Começar cedo e de forma intensiva está associado a um melhor prognóstico [3–5].
No SUS, as diretrizes do Ministério da Saúde orientam o cuidado por meio do Projeto Terapêutico Singular (PTS): um plano construído em rede, com profissionais de referência e diferentes olhares, que considera as necessidades da pessoa e da família, seus projetos de vida e a garantia de direitos [4].
Os medicamentos entram para controlar sintomas associados, como a irritabilidade, quando as intervenções comportamentais não foram suficientes, e sempre junto com o acompanhamento psicossocial [3,4,6]. Para o comportamento agressivo, o protocolo do SUS prevê a risperidona [6].
Outras condições, como ansiedade e depressão, são tratadas de forma semelhante ao que se faz em pessoas sem TEA [7], e a melatonina pode ser usada para a insônia [8]. Já o uso de medicamentos para as características centrais do TEA ainda é controverso [7]. Os antidepressivos, por exemplo, não mostraram benefício para elas [9]. Há indícios de que alguns medicamentos ajudem em sintomas específicos, como comportamentos repetitivos [10] e dificuldades de atenção [11].
Quando procurar ajuda
Converse com o pediatra ou com um profissional de saúde mental se você percebe, na criança, dificuldades na comunicação e na interação social, interesses muito restritos ou comportamentos repetitivos. Na avaliação, também vale olhar para condições que podem acompanhar o TEA, como TDAH, epilepsia ou deficiência intelectual [1].
Texto informativo, adaptado das notas técnicas que escrevi para o NatJus do TelessaúdeRS. Não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde.
Referências
- Autism spectrum disorder in children and adolescents: terminology, epidemiology, and pathogenesis. UpToDate [Internet]. 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/autism-spectrum-disorder-asd-in-children-and-adolescents-terminology-epidemiology-and-pathogenesis
- Baxter AJ, Brugha TS, Erskine HE, Scheurer RW, Vos T, Scott JG. The epidemiology and global burden of autism spectrum disorders. Psychol Med. 2015;45:601–13. doi:10.1017/S003329171400172X
- Autism spectrum disorder in children and adolescents: behavioral and educational interventions. UpToDate [Internet]. 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/607
- Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa com transtornos do espectro do autismo [Internet]. 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf
- Brasil. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde [Internet]. 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_atencao_pessoas_transtorno.pdf
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo. Portaria Conjunta nº 7, de 12 de abril de 2022 [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/arquivos/2022/portal-portaria-conjunta-no-7-2022-comportamento-agressivo-no-tea.pdf
- Howes OD, Rogdaki M, Findon JL, Wichers RH, Charman T, King BH, et al. Autism spectrum disorder: consensus guidelines on assessment, treatment and research from the British Association for Psychopharmacology. J Psychopharmacol. 2018;32:3–29. doi:10.1177/0269881117741766
- Rossignol DA, Frye RE. Melatonin in autism spectrum disorders: a systematic review and meta-analysis. Dev Med Child Neurol. 2011;53:783–92. doi:10.1111/j.1469-8749.2011.03980.x
- Williams K, Brignell A, Randall M, Silove N, Hazell P. Selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs) for autism spectrum disorders (ASD). Cochrane Database Syst Rev. 2013;CD004677. doi:10.1002/14651858.CD004677.pub3
- Hirsch LE, Pringsheim T. Aripiprazole for autism spectrum disorders (ASD). Cochrane Database Syst Rev. 2016;CD009043. doi:10.1002/14651858.CD009043.pub3
- Jahromi LB, Kasari CL, McCracken JT, Lee LS-Y, Aman MG, McDougle CJ, et al. Positive effects of methylphenidate on social communication and self-regulation in children with pervasive developmental disorders and hyperactivity. J Autism Dev Disord. 2009;39:395–404. doi:10.1007/s10803-008-0636-9