O que é
A esquizofrenia envolve diferentes grupos de sintomas [1]:
- sintomas positivos, que são experiências "a mais": alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas que os outros não percebem) e delírios (crenças fixas que não correspondem à realidade);
- discurso desorganizado, em que a fala fica difícil de acompanhar;
- sintomas negativos, que são "perdas": expressão emocional diminuída ou reações emocionais que não combinam com a situação;
- dificuldades cognitivas, de atenção, de memória e das funções executivas (planejar e organizar).
Por isso, a doença pode trazer prejuízos importantes nos estudos, no trabalho e na vida social [1].
Quão comum é
Cerca de 1 em cada 100 pessoas no mundo tem esquizofrenia, e a cada ano surge cerca de 1,5 novo caso para cada 10 mil habitantes [2]. Ela está entre as dez doenças que mais causam incapacidade e, por isso, também tem grande impacto econômico [3].
Os primeiros sintomas normalmente aparecem na adolescência ou no início da vida adulta: entre 18 e 25 anos nos homens e entre 25 e 35 anos nas mulheres [4].
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo psiquiatra, a partir da avaliação desses sintomas e do impacto que eles têm na vida da pessoa [1].
Como é o tratamento
Os medicamentos antipsicóticos são a base do tratamento. O SUS oferece vários deles, como haloperidol, clorpromazina, risperidona, quetiapina, ziprasidona, olanzapina e clozapina, além de uma versão injetável de ação prolongada, o decanoato de haloperidol [4].
Segundo as diretrizes brasileiras e internacionais, qualquer antipsicótico, com exceção da clozapina, pode ser usado no início do tratamento, sem ordem de preferência. Se o primeiro não funcionar, tenta-se outro. Quando dois medicamentos não deram resultado, ou quando há risco alto de suicídio ou de discinesia tardia (movimentos involuntários causados por remédios), a clozapina é indicada [5–7].
Em casos que não respondem aos medicamentos, a eletroconvulsoterapia (ECT) pode ser usada como estratégia adicional [8,9].
Manter o tratamento é um desafio para muitas pessoas. A adesão depende de vários fatores, como o tempo e a gravidade da doença, a situação de vida e a percepção da própria pessoa sobre o efeito do remédio [10]. Conversar abertamente com a equipe sobre efeitos colaterais e dificuldades ajuda a encontrar o melhor caminho.
Não interrompa o antipsicótico por conta própria: a retirada deve ser planejada e acompanhada pelo médico, para reduzir o risco de recaídas e de sintomas de abstinência [11,12].
Quando procurar ajuda
Procure avaliação se você ou alguém próximo passou a ouvir vozes, a ter desconfianças intensas sem motivo aparente, a falar de forma confusa ou a se isolar e perder o interesse pelas atividades.
Texto informativo, adaptado das notas técnicas que escrevi para o NatJus do TelessaúdeRS. Não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde.
Referências
- American Psychiatric Association. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed; 2014.
- McGrath J, Saha S, Chant D, Welham J. Schizophrenia: a concise overview of incidence, prevalence, and mortality. Epidemiol Rev. 2008;30(1):67–76.
- Murray CJ, Abraham J, Ali MK, Alvarado M, Atkinson C, Baddour LM, et al. The state of US health, 1990-2010: burden of diseases, injuries, and risk factors. JAMA. 2013;310(6):591–606.
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: esquizofrenia [Internet]. 2013. Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/abril/02/pcdt-esquizofrenia-livro-2013.pdf
- Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). Ficha técnica sobre medicamentos: paliperidona para o tratamento de esquizofrenia [Internet]. 2016. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/FichasTecnicas/Paliperidona_Esquizofrenia_22jul2016.pdf
- Keepers GA, Fochtmann LJ, Anzia JM, Benjamin S, Lyness JM, Mojtabai R, et al. The American Psychiatric Association practice guideline for the treatment of patients with schizophrenia. Am J Psychiatry. 2020;177(9):868–72.
- Remington G, Addington D, Honer W, Ismail Z, Raedler T, Teehan M. Guidelines for the pharmacotherapy of schizophrenia in adults. Can J Psychiatry. 2017;62(9):604–16.
- Zheng W, Cao XL, Ungvari GS, et al. Electroconvulsive therapy added to non-clozapine antipsychotic medication for treatment resistant schizophrenia: meta-analysis of randomized controlled trials. PLoS One. 2016;11:e0156510.
- Petrides G, Malur C, Braga RJ, et al. Electroconvulsive therapy augmentation in clozapine-resistant schizophrenia: a prospective, randomized study. Am J Psychiatry. 2015;172:52.
- Sendt KV, Tracy DK, Bhattacharyya S. A systematic review of factors influencing adherence to antipsychotic medication in schizophrenia-spectrum disorders. Psychiatry Res. 2015;225(1–2):14–30.
- Paliperidone: drug information. UpToDate [Internet]. 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/paliperidone-drug-information
- Weiden PJ, Kim E, Bermak J, Turkoz I, Gopal S, Berwaerts J. Does half-life matter after antipsychotic discontinuation? A relapse comparison in schizophrenia with 3 different formulations of paliperidone. J Clin Psychiatry. 2017;78(7):e813–20. doi:10.4088/JCP.16m11308