O que é
O transtorno bipolar, também chamado de transtorno afetivo bipolar, é uma doença psiquiátrica marcada por episódios de mania ou de hipomania e por episódios de depressão [1].
Na mania, o humor fica eufórico e expansivo, e a pessoa perde a inibição, sem respeitar as normas sociais. A energia aumenta e vem junto com impulsividade e envolvimento em atividades de risco, o que pode trazer prejuízos importantes [1]. A hipomania é uma forma mais leve desse estado.
Na depressão bipolar, há tristeza e anedonia (perda do prazer), junto com pelo menos outros quatro sintomas, como mudanças no sono, no apetite, na energia, na concentração e no ritmo do corpo e do pensamento, por pelo menos duas semanas [2]. Podem surgir pensamentos de ruína; quando essas ideias ficam fixas e não mudam diante de argumentos, são chamadas de delírios. Na depressão grave com sintomas psicóticos, além dos delírios, às vezes ocorrem alucinações [2].
Quão comum é
No mundo, cerca de 2 a 3 em cada 100 pessoas terão transtorno bipolar ao longo da vida (2,4%), o que faz dele uma doença relativamente comum. No Brasil, a estimativa encontrada foi de cerca de 1 em cada 100 pessoas (0,9%) [3].
Os primeiros sintomas costumam aparecer no fim da adolescência e no início da vida adulta [4], e a maioria das pessoas começa a doença por um episódio de depressão [5].
Os episódios de mania, hipomania e depressão costumam ocupar cerca de metade da vida da pessoa com transtorno bipolar [6,7], e em cerca de um terço do tempo ela fica sem condições de trabalhar [8]. Mesmo fora das crises, a qualidade de vida tende a ser menor do que a da população em geral [9]. No mundo, o transtorno bipolar é a 16ª principal causa de anos vividos com incapacidade [10].
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico e depende de uma boa conversa sobre a história de vida e do humor. Como muitas pessoas começam a doença por uma fase de depressão [5,11], é importante investigar se já houve períodos de euforia, energia aumentada e impulsividade. Sem essa história, a pessoa costuma receber, no início, o diagnóstico de depressão.
Como é o tratamento
O tratamento varia conforme a fase da doença, e o protocolo do Ministério da Saúde descreve as opções disponíveis no SUS [12]. As diretrizes internacionais seguem a mesma linha [1,13–15].
- Nas crises de mania, o lítio é a primeira escolha e é considerado o medicamento mais bem estudado no transtorno bipolar. Antipsicóticos, sozinhos ou associados a estabilizadores de humor, são alternativas [12].
- Nos episódios de depressão, o lítio também é a primeira opção, seguido por outros medicamentos, como a quetiapina e a lamotrigina [12].
- Depois que a crise passa, entra o tratamento de manutenção, com estabilizadores de humor ou antipsicóticos [12].
Um cuidado importante: no transtorno bipolar, a eficácia dos antidepressivos é incerta, e eles podem desencadear uma virada para a mania ou acelerar a alternância entre as fases. Por isso, quando usados, costumam vir associados a estabilizadores de humor ou antipsicóticos [12,15,16].
Quando procurar ajuda
Procure avaliação se você percebe períodos de euforia, irritação, impulsividade ou comportamentos arriscados que fogem do seu jeito habitual, alternando com fases de depressão. Se alguém próximo estiver em crise e colocando a si ou aos outros em risco, procure atendimento de urgência.
Texto informativo, adaptado das notas técnicas que escrevi para o NatJus do TelessaúdeRS. Não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde.
Referências
- Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, Schaffer A, Bond DJ, Frey BN, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) 2018 guidelines for the management of patients with bipolar disorder. Bipolar Disord. 2018;20(2):97–170.
- American Psychiatric Association. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed; 2014.
- Merikangas KR, Jin R, He JP, Kessler RC, Lee S, Sampson NA, et al. Prevalence and correlates of bipolar spectrum disorder in the world mental health survey initiative. Arch Gen Psychiatry. 2011;68(3):241–51.
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- Judd LL, Schettler PJ, Solomon DA, Maser JD, Coryell W, Endicott J, et al. Psychosocial disability and work role function compared across the long-term course of bipolar I, bipolar II and unipolar major depressive disorders. J Affect Disord. 2008;108(1–2):49–58.
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